Sinopsi Á espera da verdade
Por outro lado, as reflexões contidas no livro rememoram um passado recente cujos protagonistas hegemônicos - empresários, juristas, elite transnacional - ceifaram de forma indelével a frágil articulação da sociedade civil, recém-emergente naqueles idos dos anos de 1950, ainda no rescaldo do bonapartismo varguista.
Apreende -se da leitura dos textos como agem, antes e em todos os tempos de nossa história republicana, tais protagonistas civis, cuja fragilidade é inerente ao tardio capitalismo, e como se respaldam nas forças armadas para fazer valer seus interesses de classe em nome dos valores universais da sociedade brasileira, transmutando a institucionalidade do Estado em um organismo esquizofrênico cuja máxima parece ser: o Estado contra o povo, particularmente contra aqueles cujas demandas são afeitas à inclusão na dita democracia.
No interior dos itens que compõem o livro, tal perspectiva se enuncia - Antes do golpe, O Direito na Ditadura, Empresas, Relações internacionais, A Comissão Nacional da Verdade e o futuro - e comprova que, quando se toca na essencialidade de um problema, não é necessário alongar-se muito: poucas palavras dizem muito.