Sinopsi O sistema prisional: o labirinto da punição
Esse avanço foi contínuo e atravessou governos estaduais e federais situados em diferentes posições no espectro político-ideológico, e, ainda que com pequenas diferenças, sempre ocorreu na direção do controle social de jovens negros, pobres e moradores de favelas e periferias urbanas.
Diante deste quadro tão assustador como reiterado pela teoria social, o livro que você tem em mãos oferece importantes contribuições para os estudos da punição, particularmente daquelas relacionadas às prisões. Do ponto de vista teórico o livro decreta o fim das promessas de ressocialização da utopia liberal, porque sob um suposto manto de legalidade, estas apenas justificariam as prisões como a forma de punição predominante no mundo moderno e consolidariam as estratégias de enredamento do controle social de territórios (pobres) e populações negras).
Do ponto de vista histórico, o livro demonstra a continuidade do punitivismo associado ao racismo, ao patriarcado e a guerra de classes, construído através de uma espessa trama institucional por uma elite econômica e política atuando contra a possibilidade da vida em comum. Do ponto de vista do jogo da perspectiva dessas problemáticas, o estado de Pernambuco emerge como emblemático através da descrição dos percursos singulares do Patronato
Penitenciário de Pernambuco (PPP).
Convido aos leitores a adentrar no labirinto da punição para que, como dito na apresentação, possamos encontrar coletivamente os caminhos de sua saída. A tarefa não será fácil.
Daniel Hirata