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- QUEM ME COMEU A CARNE TEM DE ROER-ME OS OSSOS!
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Sinopsi QUEM ME COMEU A CARNE TEM DE ROER-ME OS OSSOS!
interpretativa - um duplo empobrecimento de suas obras e dos alicerces teóricos que as sustentaram. Com Aluísio Azevedo, não foi diferente.
O autor que, em vida, fora celebrado como um dos principais
artífices de uma literatura moderna e socialmente engajada, passou a ser lido, ao longo do tempo, por meio de um filtro redutor que privilegiou a leitura moralista, o rótulo de imitador e a canonização isolada de O cortiço como obra paradigmática.
A produção do livro Aluísio Azevedo pela crítica contemporânea nasceu da necessidade de enfrentar esse processo crítico de erosão. Nosso objetivo não era apenas reavaliar a fortuna crítica do autor, mas também compreender o modo como sua recepção exemplifica a trajetória do naturalismo brasileiro:
um movimento frequentemente julgado pela ótica do \"déficit\" - de originalidade, de rigor científico, de decoro, de arte -, mas cuja vitalidade literária e editorial foi decisiva para a formação de um público leitor e para a consolidação do campo literário no país.
O Aluísio Azevedo que emergiu desse projeto é, retomando a imagem da crônica de Olavo Bilac, um \"pai de muitos filhos\": múltiplo, heterogêneo, contraditório,
dotado de uma variedade de registros e procedimentos que ultrapassam a divisão tradicional entre \"romances de tese\" e \"romances de encomenda\".
Sua obra capta, com rara acuidade, a formação de uma cultura moderna atravessada pela imprensa, pela ciência e pelas novas formas de consumo simbólico - aquilo que, mais tarde, se chamaria de indústria cultural. Longe de se limitar ao determinismo biológico do naturalismo canônico, Aluísio mostra-se capaz de articular o discurso científico com as transformações culturais e intelectuais de seu tempo: o avanço da sociologia e da psicologia, o positivismo médico, a consolidação das ciências políticas e econômicas, o surgimento da comunicação de massa.