https://www.imosver.com/en/libros/mais-patrimonio-00101231370010123137MAIS PATRIMÓNIO12.11O título escolhido,Mais Património, assim apresentado sem outras informações, sugere-nos a imensidão de um rio sem limites, de um mar sem fronteirasà Carece, pois, desde logo, do conforto de uma explihttps://static.serlogal.com/imagenes_small/9789727/978972780524.jpgLibrosLibros/HISTORIAEn stockANCORA EDITORA000https://static.serlogal.com/imagenes_small/9789727/978972780524.jpg0010355487001017465912.7550.642015/08/019789727805242Noras, José MiguelLibrosaño_2015idioma_PortuguesePautor_Noras, José Miguelsaga_CAMINHOS DA HISTORIA
Artículo
MAIS PATRIMÓNIO
Noras José Miguel
ANCORA EDITORA
HISTORIA
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O título escolhido,Mais Património, assim apresentado sem outras informações, sugere-nos a imensidão de um rio sem limites, de um mar sem fronteirasà Carece, pois, desde logo, do conforto de uma explicação que lhe marque os contornos e lhe precise o objecto. Com efeito, a riqueza e a diversidade do património, praticamente inesgotáveis, tornam-se insusceptíveis de uma completa apreciação num escorço como aquele a que nos propomos. Na verdade, Mais Património não excede a amplitude do "trabalho de salvaguarda", vivido no terreno aquando do exercício de funções autárquicas, tanto no âmbito dos concelhos de Santarém e de Lamego, como no domínio da Associação Portuguesa dos Municípios com Centro Histórico. Para fundamentar as suas propostas, o autor oferece nesta obra úteis informações sobre a legislação portuguesa actual, recorda a acção de Alexandre Herculano, estuda dois momentos especialmente dramáticos para a preservação do património português - o Terramoto de 1755 e a extinção das ordens religiosas em 1834 -, além de referir os nomes e acções de outros lutadores pelo Património, como Mouzinho de Albuquerque e Mendes Leal. Finalmente, mostra como surgiu e se desenvolveu, na teoria e na prática, o conceito de "Património Mundial", por iniciativa da UNESCO, desde a proclamação da Carta de Atenas (1931) até aos nossos dias. Em apêndice, oferece um elenco de diplomas legislativos que fixam o quadro legal português desde 1901 até hoje, e por fim um elenco bibliográfico de estudos acerca do Património. Não é preciso mais do que este breve sumário de conteúdos para recomendar a obra. Mas parece-me também oportuno referir que ela aparece cinco ou seis meses depois da destruição das ruínas e vestígios arqueológicos de Palmira, um dos sítios mais veneráveis do Património Mundial, expoente máximo do encontro pacífico das civilizações do Oriente e do Ocidente, e, simultaneamente, do papel que a Arte e o Pensamento tiveram no desenvolvimento espiritual do Homem. A sua destruição voluntária significa que a barbárie pode surgir ou ressurgir a cada momento, por vezes com uma violência inaudita, e que as aquisições espirituais não são definitivas. Com efeito, o atentado seguia-se à destruição dos budas gigantes de Bamiyan perpetrada pelo governo taliban do Afeganistão em 2001. Estes acontecimentos tão recentes fazem estremecer qualquer pessoa civilizada. Põem em causa o conceito de património como legado simbólico de valores transmitidos à colectividade de geração em geração. Mas convém também lembrar que a noção de património colectivo, de bem comum, alheio à propriedade privada, condena igualmente quem dele se apodera e o transfere para as suas colecções particulares. Como se sabe, também alguns coleccionadores internacionais aproveitaram a dispersão de peças particularmente valiosas dos museus iraquianos, por ocasião da Guerra do Iraque, para delas se apoderarem, sem que os organismos responsáveis pela sua salvaguarda tivessem podido intervir.